sábado, 17 de junho de 2017

Álvaro Belo Marques 1931 - 2017

Morreu o Álvaro Belo Marques, deixou-nos pelas 23 e 20 de sexta-feira, 16 de Junho.
Estou a vê-lo, em Maputo, segunda metade dos anos 80, de guarda-pó vestido, a conduzir uma motoreta, depressa, muito depressa para chegar a tempo de salvar o mundo. E no céu, sob o comando do grande capitão da generosidade e da imaginação, voavam papagaios de papel lançados pelas crianças dos bairros para lá do alcatrão. Deixa duas filhas, Vera e Alexandra, um filho, Dario, e um neto, Tiago, deixa também muitos e grandes amigos.

sábado, 22 de abril de 2017

Era uma vez um miúdo num país a arder

Apresentação do livro de MIGUEL CARVALHO "QUANDO PORTUGAL ARDEU - Histórias e Segredos da Violência Política no pós-25 de Abril",  bar do Cinearte, A BARRACA, Lisboa 12 ABRIL 2017


Era uma vez um miúdo que tinha quatro para cinco anos no Verão Quente de 1975;
Fez 5 anos no dia 25 de Novembro de 1975 e nesse dia, para celebrar o aniversário do pequeno Miguel, a televisão passou um filme cómico com Danny Kaye.
A TV portuguesa não passava filmes cómicos desde o dia 12 desse mês de Novembro de 1975; nessa data, um almirante sem papas nem tento na língua rompera um cerco a São Bento disparando uma salva de impropérios.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Diz que é uma espécie de currículo – V

Estava na rádio para ficar… e fiquei.
Fiz a primeira revista de imprensa em 10 de Abril de 2006, a última em 31 de Julho de 2015. Em 20 de Outubro de 2008 a revista passou a duas edições diárias: a primeira, pelas 7h 20m, de primeiras páginas, a segunda, pelas 8h 25m, do miolo dos jornais. Fazia a revista a partir de dez jornais e duas revistas, que recebia e lia a partir das 5h da manhã: Diário de Notícias, Jornal de Notícias, Correio da Manhã, Público, jornal I; Diário Económico, Jornal de Negócios; A Bola, Record, O Jogo; às sextas-feiras: VisãoSábado
Média diária de 3 quilos de papel de jornal.
Era duro mas fez-me muito bem à saúde: para aguentar o fôlego e a exigência da revista de imprensa, deixei de fumar.
E dava-me tanto gosto fazer a revista que até recusei, creio que em 2010, o convite da Administração da RTP para desempenhar o cargo de Provedor do Ouvinte.
Tinha uma grande vantagem para ler e passar em revista os jornais: trabalhava em casa. A RTP instalou-me em casa equipamento e linha telefónica RDIS (Rede Digital com Integração de Serviços): som de estúdio. 

Os jornais eram depositados por uma empresa distribuidora às 5 da manhã, no tapete da porta do meu apartamento; trabalhava na mesa da sala de jantar, com os jornais abertos, corria as primeiras páginas, tomava notas em cadernos grandes quadriculados; assinalava com marcadores de cores os títulos, as notícias, as fotos, os comentários, a paginação. Escrevia o texto da revista das primeiras páginas antes das seis horas e começava a folhear os jornais, a tomar notas para a segunda edição. Após a primeira edição da revista ir para o ar, começava a rever e ordenar as notas para escrever o texto da segunda edição.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Diz que é uma espécie de currículo IV

 De facto, a rádio…

A rádio estava escondida na proposta do Sérgio Figueiredo que em 1997 me levou para o Diário Económico. O jornal pertencia a Miguel Paes do Amaral, juntamente com o Independente, Grupo Media Capital, e Sérgio Figueiredo tinha o projecto de construir, a partir do Económico, uma redacção multimédia para jornal, rádio e TV. Cheguei a fazer o projecto de conteúdos para uma estação de rádio, em cima da data para concorrer a determinada frequência de radiodifusão. Um administrador anunciou à redacção:
- Ganhámos a frequência de rádio, o que ficamos a dever ao João Paulo Guerra.
Ao que respondi que só ficavam a dever se não quisessem pagar e de facto não deram sinal de querer. 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Diz que é uma espécie de currículo - III

Com efeito, entretanto, voltei mais uma vez à rádio.
Telefonia de Lisboa 
Eu passara na década de 80 pelo movimento das rádios piratas – louco e heróico, diria o Manuel da Fonseca –, designadamente pela Telefonia de Lisboa. Mas, em Outubro de 1990, o convite veio do Emídio Rangel e a rádio era a TSF. E para ajudar o meu orçamento, a proposta compreendia colaboração com o semanário O Jornal, ligado empresarialmente à TSF. A rádio nacionalizada, que era quase toda, fechara-me as portas: estive arredado longos anos. Uma das muitas propostas que apresentei à rádio nacionalizada e que nem sequer recebeu resposta foi mais tarde um projecto de grande impacto e sucesso na TSF, as laureadas Viagens com Livros.
Reconstituição para O Jornal do assalto
ao avião da TAP em 1961: o
panfleto lançado sobre Lisboa, autografado
 por tripulantes e assaltantes do avião.
No semanário O Jornal consegui manchetes, como as relativas à extensão da rede Gládio em Portugal, fiz investigação sobre a história contemporânea do País, acompanhei casos de polícia. O repórter à antiga, na companhia de grandes mestres do jornalismo e da reportagem.

Na TSF entrei para editor e repórter na equipa que estava a fazer as edições do fim-de-semana: folgávamos segunda e terça, estudávamos a agenda na quarta – durante um almoço numa tasca nas imediações das Amoreiras, uma tasca chamada Regresso, o que me parecia um bom presságio para o meu regresso à rádio –, metíamos mãos à obra e pés ao caminho na quinta e sexta, sábados e domingos editávamos os noticiários e respectivas reportagens, mais um magazine de actualidades, Os Dias Andados. O editor da equipa era o Fernando Alves.  

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Diz que é uma espécie de currículo - II

        … No entanto, o semanário acabou antes de começar. Foi assim.

Número 0 do AE,
imagem da Galeria Virtual do Museu da Imprensa
Deixei o RCP, na Rua Sampaio e Pina, num dia de Novembro de 1973, mas no dia seguinte estava a trabalhar na rua Joaquim António de Aguiar, uma paralela, duas ruas adiante, descendo a Rodrigo da Fonseca, passando o Hotel Ritz, virando à direita, na redacção do semanário Actividades Económicas, o AE, um projecto financiado pelos irmãos Agostinho e José da Silva, accionistas maioritários da Torralta. Dinheiro não faltava: redacção com razoáveis ordenados para a época, equipamentos novinhos em folha que fariam do AE o primeiro jornal português com fotocomposição na redacção. E projecto também havia.
O escritor e jornalista Mário Ventura Henriques, que fazia a ligação entre a administração e a redacção, disse-nos que se tratava de um semanário para «fazer concorrência ao Expresso, pela esquerda». 

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Diz que é uma espécie de currículo - I

Rádio Renascença 1962
1962 – Entrei na rádio pelo Programa Nova Vaga, com outros jovens de então, nas tardes de sábado de Rádio Renascença: Fernando Correia (actual membro do Conselho de Opinião), João Mota, Lauro António, Dinis de Abreu, Daniel Ricardo, Maria do Céu Guerra e João Paulo Guerra. Programa de microfone aberto em directo para o gravador do José Manuel Moreno Pinto. Foi assim: o Dinis de Abreu, jovem jornalista no Diário Popular, formou a equipa e perguntou a minha mãe, Maria Carlota Álvares da Guerra, chefe de redacção da Crónica Feminina e cronista na RR, se conhecia jovens que quisessem participar no programa: entrei eu e a Maria do Céu, minha irmã; eu acabei por ficar na rádio, a Maria do Céu Guerra foi para o teatro. 
Quando a Nova Vaga acabou – e foi rapidamente – Joaquim Pedro convidou-me para ficar a estagiar como locutor na RR. Lia anúncios de estação – Rádio Renascença, Emissora Católica Portuguesa –, ligações e lançamentos entre programas, passagens à Basílica dos Mártires para o Terço e Bênção, o estágio era acompanhado por locutores consagrados da estação como Joaquim Pedro, Dora Maria, Maria José Baião, Luís Filipe Aguiar. Também “estagiava” vendo fazer e ouvindo João Martins, Armando Marques Ferreira, António Revés, e observando de perto o trabalho de técnicos como José Manuel Moreno Pinto, Alberto Moreno, José Ribeiro, António Ricardo.
Primeiro plano: JPG, Jorge Balsa, José Dias, António Ricardo e José Videira;
segundo plano: Moreno Pinto, Franquelim Rodrigues, José Neves de Sousa,
padre Miguel, NN, NN e Fernando de Almeida (treinador)
Em 1963, um ano após o início do estágio, recebi convite para me mudar para o Serviço de Noticiários do Rádio Clube Português. Na RR eu também dava notícias – recortadas dos jornais e coladas numa folha de papel: “O Senhor Presidente do Conselho recebeu hoje o senhor ministro da Defesa com quem o vemos na gravura acima”. De maneira que aceitei de primeira o convite, vindo do Luís Filipe Costa e transmitido pelo Matos Maia. O último acto em que participei como estagiário da RR foi um jogo de futebol contra o RCP. Perdemos.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Congresso deu a 80 estudantes de jornalismo a experiência de uma redacção

Rute Santos/ I.P.P.
Dezenas de computadores, máquinas em tripés, gravadores espalhados pelas secretárias. O ruído constante e a correria dos estudantes confirma o que parece impossível: uma equipa multiplataforma funciona dentro da sala 2 do Cinema São Jorge. É nesta sala convertida em redação que se reúnem mais de uma centena de profissionais, professores e alunos de comunicação, responsáveis pela cobertura do 4.º Congresso dos Jornalistas. Com um palco ao fundo e palavras de ordem espalhadas pelas paredes, cumprem a missão proposta pelo congresso: “Afirmar o jornalismo”.

sábado, 14 de janeiro de 2017

IV Congresso dos Jornalistas: precários e desempregados agora chamam-se Freelancers


Maioria dos jornalistas tem licenciatura em comunicação e investe na formação contínua mas recebe menos de 1.000 euros por mês, indica o mais recente e abrangente inquérito aos jornalistas, desenvolvido por uma equipa do CIES-IUL (ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa), em parceria com o Sindicato dos Jornalistas e o Obercom, em 2016.
Em 2016, 33,4% dos inquiridos não tinham contrato fixo e, portanto, trabalhavam em condições contratuais precárias e sujeitos a instabilidade, insegurança e fragilidade. 

sábado, 7 de janeiro de 2017

Mário Soares fica para a história colado à página da descolonização


Mário Soares: Acho que foi feita a descolonização possível
Spínola: O Dr. Mário Soares teve comigo duas ou três reuniões pessoais, secretas, chamando-me a atenção para os perigos que estávamos correndo…
Eanes: Houve várias divergências.

A vida de Mário Soares (1924 - 2017) marcou e foi marcada por décadas de protagonismo na história contemporânea de Portugal. Particularmente o 25 de Abril e a descolonização foram páginas da história às quais o nome de Soares ficará colado para sempre. 
Foi a «descolonização possível», disse.  
A página da História voltou-se em Abril de 1974. Três meses mais tarde, quando o chefe da nova diplomacia portuguesa, Mário Soares, subiu à tribuna da ONU, a assembleia ouviu, por fim, Portugal reconhecer os princípios da Carta das Nações Unidas e afirmar solenemente o propósito de descolonizar de acordo com os princípios da Carta. Apesar de ter perdido o tempo próprio da história, Portugal acordou do sonho imperial e mandou regressar as caravelas: a descolonização fez-se, com mais ou menos traumatismos.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

A clara idade assombrada da poesia de Cabo Verde

João Paulo Guerra, TSF,
9 de Janeiro de 1991, Cidade da Praia

Oswaldo Osório
Inesperadamente, calou-se a algazarra da campanha eleitoral na Cidade da Praia, para ouvir a voz de um poeta. A homenagem ao poeta Oswaldo Osório marcou a abertura de um centro cultural que procura ser um ponto de encontro para os escritores cabo-verdianos.
Oswaldo Osório – pseudónimo literário de Osvaldo Alcântara Medina Custódio – nasceu na cidade do Mindelo, Ilha de São Vicente, em 25 de Novembro de 1937. Clar(a)idade Assombrada, publicada em 1987,  é o seu terceiro e mais recente volume de poesia, sucedendo a Caboverdeanamente Construção Meu Amor (1975), Cântico do habitante. Precedido de Duas Gestas (1977).
A poesia de Oswaldo Osório saiu impressa com a liberdade. Anteriormente, o poeta estivera preso duas vezes por razões políticas.

JPG - Ouvi-o referir-se, na homenagem que aqui lhe foi prestada, à língua cabo-verdiana. O que é a língua cabo-verdiana e o que é Cabo Verde em termos literários ao cabo de dezasseis anos de independência?
Oswaldo Osório – A língua cabo-verdiana é a nossa língua materna. E a língua portuguesa, sem ser para nós uma língua estrangeira, é uma língua segunda, mas é também a língua oficial. A língua cabo-verdiana tem passado por vários tratamentos de natureza linguística de modo a torná-la mais plástica na literatura escrita. E tem sido feito um grande esforço no sentido da modernização da língua, estabelecimento de regras, etc., que certos jovens, como por exemplo Tomé Varela, têm vindo a investigar no campo da oralidade e escrevendo totalmente em língua cabo-verdiana.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Histórias do Congo à margem da História


Estive por duas vezes em serviço de reportagem no Congo Kinshasa, actual República Democrática do Congo, então presidida pelo ditador Mobutu ou, como ele queria que lhe chamassem, Mobutu Sese Seko Nkuku Ngbendu wa Za Banga, isto é, O Todo Poderoso Guerreiro que, Por Sua Força e Inabalável Vontade de Vencer, Vai de Conquista em Conquista, Deixando Fogo em Seu Rastro. 
Nessas visitas, reportei as viagens de dois Presidentes da República Portuguesa que fiquei a conhecer melhor.



quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Cores felizes na paleta de Malangatana


Por João Paulo Guerra,
TSF, Outubro 1994

Moçambique está em Festa, uma festa com muitas cores. Nesta quadra de eleições multipartidárias, Moçambique está multicolor.
Estou na cidade de Maputo, no Bairro do Aeroporto, no atelier do pintor Malangatana Valente Ngwenya, moçambicano, 58 anos, um artista do mundo e da paz. Este homem que esteve preso três vezes pelo regime colonial, uma das quais por motivo de um quadro que pintou, o quadro “25 de Setembro”, a data do início, em 1964, da luta armada pela libertação, e que depois da independência do seu país esteve de novo detido, dessa vez num campo de reeducação, como castigo pelo seu comportamento na época colonial, este homem está também em Festa, agora que Moçambique tem eleições multicolores.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Os Olhos Azuis do cinema na Guiné-Bissau

Entrevista com o realizador guineense Flora Gomes.

João Paulo Guerra, TSF, 26 de Janeiro de 1991,
Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira, Bissau


No regresso a Lisboa, após a reportagem de um processo político que culminou com a introdução do multipartidarismo na Guiné-Bissau, o repórter cruzou-se no aeroporto com o realizador de cinema Flora Gomes. Nascido em 1949 em Cadique, tabanca a sul de Bissau, uma das principais povoações produtoras de arroz no tempo colonial, Florentino Gomes foi levado pela guerrilha guineense para estudar em Conakry e mais tarde em Cuba. Voltou formado em cinema. Filmou os últimos anos de guerra e depois da independência começou a filmar histórias para o futuro do seu país.
Foi muito bem empregue o tempo de espera naquele dia de Janeiro de 1991, no aeroporto de Bissau.

Pergunta – Como é que um guineense chega a realizador de cinema?
Flora Gomes – Bom, no meu caso foi muito simples. Eu fui dos jovens que a guerrilha, quando passou pela minha aldeia, levou para Conakry para receberem instrução. Fiz a escola primária, a secundária e estudos pré-universitários…


sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Luiz Pacheco: Eu acho mesmo que o mundo está cada vez melhor …


Entrevista de João Paulo Guerra
TSF, 19 de Maio de 1992, 19 horas

Da autoria do escritor Luiz Pacheco sai hoje [Maio de 1992] a reedição de O Libertino Passeia por Braga, a Idolátrica, o Seu Esplendor. Um acontecimento num país que também nas letras é geralmente de brandos costumes.


O Libertino etc., foi escrito em 1961 e publicado em 1970 provocando muito escândalo. É a narrativa de um dia passado numa Braga lúbrica. E logo Braga, a cidade dos arcebispos. O próprio autor filiou a narrativa numa corrente neo-abjeccionista.
Com 67 anos de uma vida airada, Luiz Pacheco vive actualmente em Setúbal. E é de lá, em directo, que aceita conversar sobre a reedição – para a qual deu uns retoques no texto de O Libertino… –, sobre a actualidade que, seja onde for, acompanha com atenção: a reforma da PAC ou a reserva dos coronéis, o pacote Delors 2 ou o Evangelho segundo Sousa Lara, o Tratado de Maastricht ou a nova Ponte sobre o Tejo, numa conversa de ida e volta ao mundo, com partida da Europa.

Luiz Pacheco – Europa? Qual Europa?

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

O Cenáculo da Marquesa



Por João Paulo Guerra, 
Telefonia de Lisboa, Janeiro de 1987

          O tempo parou ali há muito tempo como que imobilizado num daguerreótipo antiquíssimo, amarelecido nos cantos, esbatido no centro do plano de conjunto. Mesmo assim, distingue-se o conjunto: onze figuras de cera em redor de uma mesa, todos eles voltados ligeiramente sobre o lado direito, fixando a posteridade.
Ilumina-se a cena e distinguem-se então as cores, tons de cinza e violeta, esmaiados sobre o fundo austero de uma estante de mogno onde jazem livros encadernados pelo pó, o bafio, o esquecimento. Reposteiros pesados coam os sons da vida e tornam mais íntimos os sussurros das conversas, por onde passam, em ladainha, os nomes de legiões de fantasmas, a memória de irremediavelmente perdidos tempos de grandeza, sonorizados pelo tilintar das porcelanas e das dentaduras postiças, o ronronar dos catarros. 

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

DIAS DA RÁDIO

O Serviço de Noticiários do RCP
nas páginas da revista Antena: Luís Filipe Costa,
Paulo Fernando, Manuel Bravo e Firmino Antunes.
João Paulo Guerra, Carlos Manuel e Fernando Quinas. 


textos de João Paulo Guerra,
2011 / 2012, 
no blogue 

“KUANDO OS RÁDIOS ERAM CLUBES”, 

de PAULO 
"Tac Tac" FERNANDO





Nos idos de 60/70, como grande parte dos jovens desse tempo, houve uma fase em que usei grandes barbas e cabelame que me faziam parecido com o baterista dos Marretas. A verdade é que ninguém tinha nada com isso. E menos ainda o director dos serviços de censura interna do RCP, António Augusto Moita de Deus, o Arbusto Divino, ou o Moita-Carrasco, conforme os gostos. Ele que cortasse textos ou fitas de arrasto; na minha barba e cabelo não tocava.

... FP-25 disputam share com o Papa

EM CIMA DO ACONTECIMENTO ..
Por João Paulo Guerra
10 de Maio de 1991


Naquele dia de Maio de 1991, o acontecimento era a chegada do Papa e Lisboa. E ninguém previa que pudesse acontecer alguma coisa em cima de tal acontecimento. 

       Mas aconteceu. 

terça-feira, 22 de novembro de 2016

«O arcebispo de Braga absolveu-nos»

Sanches Osório,
 ex-major do MFA 
ex-dirigente  MDLP


Entrevista de João Paulo Guerra / Abril 1999

José Eduardo de Sanches Osório era major de Engenharia em 1974 e fez parte do Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas, no quartel da Pontinha, na madrugada de 25 de Abril. De formação monárquica e católica e pertencendo à casta dos oficiais do Corpo de Estado-Maior, Sanches Osório aderiu ao Movimento dos Capitães em 1973 para derrubar Marcelo Caetano. Ministro da Comunicação Social no II Governo Provisório, o primeiro de Vasco Gonçalves, entrou em ruptura com a revolução por alturas do 28 de Setembro. E na sequência do 11 de Março foi expulso do Exército e deixou o país clandestinamente para fugir a um mandado de captura. No exílio participou na fundação do Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP), liderado por Spínola e chefiado por Alpoim Calvão. Desempenhou funções de embaixador itinerante da contrarrevolução, mas diz que não levava a sério o plano do general para invadir Portugal e reconquistar o poder.


sexta-feira, 18 de novembro de 2016

António Macedo: Quero estar outra vez feliz na rádio


Estou muito descontente com a rádio que estou a fazer, com a forma como a rádio está a ser feita, com tudo aquilo que me rodeia (...) Quero estar outra vez feliz na rádio

António Macedo

Por João Paulo Guerra 
Entrevista editada em 15 de Outubro de 2016, data da homenagem a António Macedo, promovida pelo 
1º Acto – Clube de Teatro e Intervalo – Grupo de Teatro.

"A voz da rádio tem uma personalidade amiga e íntima, como a de um velho camarada de confiança"
Erskine Caldwell, Vagueando pela América, Editora Ulisseia 1963

"A rádio tem uma distinta personalidade humana, devida ao seu amigável e íntimo tu cá tu lá"
 Caldwell, ob. cit.

Nome?
António José Macedo Monteiro de Oliveira.
Idade?
Sessenta a cinco anos. Sessenta e seis a 4 de
Novembro, sou de cinquenta.
Nascido onde?
Lisboa, São Sebastião da Pedreira, Maternidade Alfredo da Costa.
E onde residiam os teus pais?
Na Rua do Salitre, 55, 4º Direito, onde vivi os primeiros anos de vida.